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sábado, 24 de setembro de 2016

Passeio aos Picos de Europa – diário de bordo

Já lá tinha ido duas vezes, mas sempre em modo “flash ride”, ou seja, sem detalhes nem demoras, ou se ainda não entendeste o que disse até agora, tipo visita de médico.
Numa das paragens pelo caminho...
A Ducati Norte tinha difundido um convite para fazer um passeio aos Picos da Europa, durante 3 dias e duas noites, com visita guiada. O núcleo duro dos motard flavienses depois do necessário consenso, deliberou participar, e assim nos inscrevemos.
No dia 16 pela fresquinha concentramos-nos junto ao casino de Chaves à espera do pessoal que vinha do Porto e todos reunidos, arrancamos, 17 motos e mais de 21 almas.
Seguimos por autoestrada até Verin, viramos para a direita na A52 que passa por A Gudiña, Puebla de Sanabria, e em Benavente apanhamos a A66 em direcção a León. Um pouco antes, saímos na saída 160 em direcção à N625, que percorremos até ao nosso destino em Cangas de Onís.
Quando nos aproximamos dos Picos da Europa, damos-nos conta que aquilo é algo especial. Existem muitas montanhas, até podem ser mais altas, mas os Picos, parecem ser feitos para nos deleitar os sentidos.
De caminho até aos lagos de Covadonga
Foi em Riaño que almoçamos e é a partir de aí que começamos a dar-nos conta da grandiosidade daquele monumento da natureza. Ao adentrar-nos no meio daquelas gargantas e serpenteando por entre os maciços e gigantescos montes rochosos, salpicados de árvores centenárias, damo-nos conta da nossa insignificante e débil existência.
Passado este breve momento melancólico, reparo também que o tempo não está para cantigas. O céu encheu-se de nuvens e começou a chuviscar, este facto, ligado ao conhecimento prévio de uma previsão meteorológica pouco favorável, diz-nos que não vamos passar sede.
Seguimos caminho e …, bom, eu gostava de contar aqui tudo, mas a verdade é que foram muitos os sítios de realce e difícil de dizer exactamente onde, pelo que o melhor é passares também naquela estrada e esbugalhar os olhos.
Chegados a Cangas de Onís, continuamos viagem conforme previsto, rumamos até ao santuário de Covadonga, onde tem uma pequena caverna com uma capelinha e uma cascata, tudo digno de se ver. Nessa altura caia um chuvisco pesado que aconselhou encurtar o programa e fomos até ao hotel que tínhamos reservado em Cangas.
No dia seguinte, toca a madrugar. O tempo tinha melhor pinta e isso animou-nos.
Repescado do programa do dia anterior por causa da chuva, dirigimos-nos aos lagos de Covadonga. Começo por disse que o belo daquilo tudo não são os lagos, é tudo que está à sua volta, desde que começamos a subir o maciço montanhoso. A estrada, estreita e serpenteada, começa a subir lentamente, e a partir de determinada altura parece que tudo o que vemos foi cuidadosamente montado para nos deleitarmos.
As motos estacionadas junto ao lago. A fundo, picos com neve
Junto à estrada ( e algumas no meio dela) apareciam as vacas todas relaxadas, com os seus ternurentos vitelinhos. Ohhhh! Os vitelinhos, coisa mais linda e mais fofa! Só me apetecia saltar da moto e dar-lhe beijos naqueles focinhos amorosos! Cheguei a jurar que nunca mais iria comer carne de vitela, mas não sei se vou conseguir cumprir…
Visto da estrada, víam-se prados com cercas para recolher os animais e ovelhas estrategicamente dispostas nos montes a pastar, tudo só para nós vermos e tirar fotos (pensei eu).
Chegados ao lago mais afastado, e posso dizer que não todos conseguem ter o privilégio de lá chegar em veículo próprio, devido às grandes limitações por falta de lugares de parqueamento, uma vez mais fomos brindados com uma envolvente ímpar. De um lado víamos uns picos donde se podia ver neve ou seja, onde existe neve todo o ano e do outro as minas da Buferrera, donde em tempos extraíram ferro e magnésio, agora todas bem arranjadinhas para turista visitar e sacar muitas fotos.
Voltamos a descer, e seguindo a AS-114, em Las Arenas viramos no cruzamento à direita e fomos até onde começa a funicular de Bulnes. A funicular, é um eléctrico que se desloca por um túnel que nos leva até à aldeia com esse nome. Não tivemos tempo disponível para o fazer, mas estivemos mesmo ao lado, no miradouro/mirador de Camarmeña, cujo acesso é uma subida a pique, mas que nos compensa com umas vistas, que são um verdadeiro espectáculo da natureza! Ver para crer!
O teleférico de Fuente Dé
Daí voltamos para trás, viramos à direita pela AS-114, depois pela N-621 e almoçamos em Potes. Pela tarde fomos até mais um lugar icónico, Fuente Dé, donde está o temível teleférico (para alguns), dando-nos a possibilidade de desfrutar de mais uma paisagem única e vertiginosa.
Voltamos novamente à N-621 e seguimos até Portilla de la Reina, e a partir daí subimos uma estrada muito serpenteada mas com bom piso, a LE-2703. Paramos em dois miradouros, um no meio do caminho e outro antes de começarmos a descer, o Puerto de Pandetrave.
Picos visto de onde ficamos alojados em Codiñanes
Finalmente deslocamos-nos até àquele que seria o nosso alojamento, pequenino (enchemos aquilo), mas num local idílico – Codiñanes de Valdeón, do ponto de vista turístico (no inverno deve ser brrrrrrrr, de gelar!). Aquilo é pequeníssimo e como deves imaginar, pouco tinha que ver para além das impressionantes montanhas que nos rodeavam.
O melhor foi no dia seguinte. Fomos nas motos até Caín de Valdeón, a uns 6 Km de onde estávamos alojados. Foi aí que fizemos um dos percursos mais bonitos que já fiz na minha vida!
Ruta del Cares- a ribeira ao funnnndo!
O seu nome é “Ruta del Cares” e só se pode fazer a pé. Atravessamos túneis escavados na rocha onde a água caía como chuva, que quase justificava levar um guarda-chuva. Durante a maior parte do caminho que fizemos, tivemos sempre a acompanhar um ribeiro que cada vez se afastava mais de nós em profundidade, chegando a estar a mais de 200 m. Impressionante! Do nosso lado esquerdo ia uma levada de água, escavada na rocha, que acompanha este percurso até ao miradouro da Carmameña. Mas por falta de tempo tivemos que voltar para trás, pois ir e voltar seriam 24 Km e isso ocuparia um dia inteiro. Esta interrupção não agradou a ninguém, mas com isso reforçou a vontade de regressar para acabar aquele percurso e muito mais.
Uma anotação: se tirar fotografar poluísse tanto como o motor de um carro, neste momento não se podia respirar nos Picos da Europa! Entre todos tiramos quase uma tonelada de fotos. Não acreditas? Então vai ao facebook e verás como é verdade!
Regressamos ao alojamento, os mais limpinhos tomaram banho (eu não tomei, que sou rústico), fizemos os sacos e as maletas e rumamos de regresso a casa antes que se fizesse tarde. Ainda tivemos que fazer uma manobra logística altamente sofisticada (hehe) para abastecer de gasolina as motos mais bebedoras, de forma a chegar à próxima bomba de gasolina. Bom, para não ficares curioso, vou dizer como foi a manobra: um taxista foi buscar um “jerrican” de gasolina e depois andamos a por um par de litros nas tais motos que não vou dizer quais são.
Estrada de Caín a Cordiñanes
Mais uma vez comemos em Riaño e a todo o vapor metemos o azimute para casa. De repente parece que ia tudo louco, ou então tinha o velocímetro avariado. Penso que seria a 2ª hipótese, pois nunca chegamos a ser interceptados pela polícia.
O grupo estava cada vez mais homogéneo. Quando já começávamos a conhecermos-nos todos, tínhamos agora que separar-nos. Uma pena, mas em tudo há um princípio e um fim. Todos ficamos entusiasmados para uma próxima, pois a organização foi impecável e todos deram a sua contribuição para a boa disposição e o bom ambiente.
Eu pessoalmente deixo aqui este diário de bordo, que pode resultar um pouco enfadonho com o vira à esquerda e vira à direita, mas fiz isso propositadamente para que, quem o queira repetir ou fazer pela primeira vez, consiga “à primeira tacada” ver os locais mais notáveis dos Picos da Europa. Abaixo podem-se ver os mapas com os percursos.
A todos eles desejo que desfrutem tanto como eu desfrutei.

Recomendo que o passeio seja feito em moto. Boa viagem e boas curvas!
Percurso Chaves - Riaño

Percurso de Riaño - Cangas de Onis e todas as voltas dadas nos Picos da Europa

Percurso total

quinta-feira, 16 de junho de 2016

18º edição do Lés a Lés - 2016

Uma vez mais realizamos o Lés a Les. Este ano a partida foi em Albufeira - Pedras Salgadas.
Visto que tinha-mos que atravessar o pais para chegar a Albufeira nada melhor que fazer a descida pela famosa N2. Estrada nacional que une Chaves a Faro.

Uma estrada apaixonante para quem gosta de curvas. De salientar a chegada a Góis e Pampilhosa da Serra.
Foi um dia duro pois passamos mais de 8 horas sem tirar o capacete até Aljustrel, zona que paramos para almoçar e repousar um pouco. Foram 8 horas de puro prazer e muita adrenalina.
A chegada a Faro foi por volta das 18.00 horas  onde nos esperava uma cerveja fresquinha à beira-mar.
Quanto ao Lés a Lés concretamente foi muito particular pois fizemos a nossa medida, ou seja, almoçamos e jantamos fora da caravana fomentando a camaradagem do nosso grupo. O percurso esteve bem em termos gerais e a satisfação foi generalizada. Para o ano há mais....


Abraço.. Para o ano há mais...

Filipe Lage


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Amizade à prova de água

Não sei se, caro leitor, alguma vez passaste pela situação de teres tanta fome que até um pedaço de pão sabe a glória…
Isto para dizer que, eu e o meu amigo Filipe estavamos em tal estado, que estavamos decididos a, naquele instável sábado, lançarmos-nos à estrada com o que houvesse à mão. Digo à mão, porque a minha RT estava estacionada bem longe de Chaves e tinha apenas disponíveis as minhas meninas, digo as minhas CX500.

Saímos depois de almoço e quando íamos a sair da Lage & Lage, demos conta que o céu estava negro e pesado e estava a preparar-se para castigar os mais desprotegidos.
Eu montado na sua sofisticada Multistrada e ele na minha combativa CX, era ver-nos a correr a “tout vitesse”, comigo a tentar dominar os 160 CV da Ducati e o Filipe a espremer os 50 CV da Honda, o que nos manteve sempre à frente do nosso competidor mais directo – a chuva.
Depois de 60 fenétricos quilómetros, chegamos a Vinhais, tiramos umas fotos de familia e devolvemos as monturas aos seus correspondentes donos.
Esses curtos 10 minutos parados, foram suficientes para que o céu se vingasse da nossa curta vitória e a partir daí o ambiente passou a ser molhado, muito molhado!
Alguém quis voltar para trás? Alguém estava triste? Qual quê! Toca a inaugurar a temporada de Inverno com uma boa voltinha à chuva!
Apontamos o azimute para a Gudiña e a bom ritmo fizemos todas aquelas estreitas e caprichosas curvas.

Entramos em Espanha. A estrada alargou-se e o piso melhorou, mas a chuva não parou.
Chegados à Gudiña e ainda se mantinha a fome de mais estrada e aí dirigimo-nos para norte em direcção a Campobecerros, donde estão a construir e passa a nova linha do AVE.
Nesse trajecto até Verín, apanhamos de tudo: mau piso, curvas impossíveis e nevoeiro, mas também desfrutamos de uma parte muito divertida, em forma de montanha russa com o piso imaculado.

Chegamos a Verín e daí rumamos a Chaves. Nem nos apeteceu parar pelo caminho, mas naquele momento demos conta que necessitávamos tomar algo quente para retemperar forças.

Com este curto passeio sentiamo-nos recuperados. Tinhamos saciado de certa forma a fome e a saudade de tanto milhares de quilómetros que fizemos juntos e que agora, por motivos de distância, já há muito não fazíamos.

Para acabar, apenas uma pequena nota. Se quiseres fazer este pequeno trajecto acompanhado, não te esqueças de que, para além de precisares de motos também tem que haver muita amizade, senão ao chegares ao fim tu ou alguém se vai queixar.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Passeio de clássicas em Abragão


Abragão? Onde é isso? dirão alguns. O mesmo pensei quando o casal amigo António Ferreira e Beatriz Máximo me convidaram a participar no passeio que eles têm organizado há vários anos.
O simpático casal organizador do passeio

Sorte a minha tê-los conhecido, ter uma moto que se enquadra no âmbito das clássicas (pese embora os possuidores das BMW e de outras europeias me olhem com alguma indiferença disfarçadaJ) e o ter aceite lá ir pela primeira vez.

Se calhar ainda não disse, mas tenho duas nipónicas clássicas - duas Honda CX500 de 78 e 81 (ver http://hondacx500portugues.blogspot.pt/) que me fizeram ver a estrada de outra forma, mais pausada, mais contemplativa e relaxada.

As concentrações de clássicas são um mundo à parte no mundo das motos. Nela convergem pessoas socialmente sãs e o melhor de tudo é que trazem às suas costas uma bagagem cultural infindável sobre uma vida passada e uma paixão: as motos antigas.

Não consigo dizê-lo de outra forma, é o sentimento nobre que me invade quando vejo os seus orgulhosos donos montados em motos cheias de carisma, autênticas obras de arte rolante. Nada que ver com aquelas concentrações de barulhentos motoqueiros sebosos, sedentos de cerveja e de excitações baratas prontas a servir e que de motos só sabem daquela que os trouxe até ali, e alguns nem isso!

Abragão é uma pequena vila situada a sul de Penafiel e a oeste de Marco de Canavezes, virada para o leito do rio Tâmega. Por ela passa a rota do românico, uma estrada que serpenteia por aquela região e nos leva aos lugares mais recônditos, mas também nos mostra o majestoso Douro e o seu afluente, o Tâmega.

Este foi o segundo ano em que participei e tanto num como no outro só estive presente num dos dois dias. Problemas de âmbito logístico L. Em ambas ocasiões os organizadores foram peremptórios: Não há atrasos e a saída é às 09h00!!! Apoiado!


Na recta da Tabopan, Vila Pouca de Aguiar
Saí de Chaves bem cedinho pela nacional, claro. O tempo sentia-se fresco, mas estava de maravilha, um sol brilhante que incitava a passear. Porém ao passar o Marão o tempo mudou de cara. Todo o vale desde Amarante até se calhar ao Porto, estava coberto com um espesso manto de nevoeiro que gerava um orvalho pesado pondo em dúvida se estaria a chover. Mesmo assim só cheguei às 09h15, é verdade, atrasado, mas tive a desculpa de vir de (relativamente) longe.

Cumprimentos feitos, foi só reabastecer e toca a sair. É assim mesmo!

Rumamos para Marco de Canavezes pela N320 e N210 e dali continuamos até Baião e Santa Marinha do Zêzere, que nada tem a ver com o nome do rio, bem pelo contrário está bem debruçada, sem se ver, para o rio Douro, onde paramos num agradável parque relvado de traço moderno. Nessa altura já estávamos a receber os benefícios do bendito astro-rei que tanta alegria nos dá nem que seja só pelo brilho que dá à paisagem!

Já tínhamos andado por essa altura cerca de 60 Km, nada mau para as velhinhas glórias. Pensava que a paragem era só para esticar as pernas e verter águas (eheh) mas num instante montaram um pequeno lanche com salpicão, bola de carne e um bolo de "não-sei-o-quê" que soube de maravilha.


Algures na serra do Montemuro
Prontinhos e aconchegados, arrancamos e descemos até ao rio e voltamos a subir até Resende. A partir de ali a vegetação alta e verdejante transformou-se em erva e arbustos rasteiros, o que sobrou de sucessivos e crónicos incêndios. Tínhamos entrado no temeroso e austero maciço da serra do Montemuro!


Ponte e torre medieval em Ucanha
Chegados a Bigorne atravessamos a N2 e dirigimo-nos até Tarouca, passando pelas isoladas e frias aldeias de montanha, Lazarim e Lalim. Dali fomos até Ucanha onde fizemos um breve alto para ver a torre e a ponte medieval. Segundo os entendidos foi ali que se iniciou o mau hábito de cobrar portagens nas pontes e infelizmente estendeu-se para muitas mais coisas.


As motos estacionadas em frente do museu do espumante Murganheira
Já estava a aproximar-se o almoço. Já tínhamos mais de 100 Km percorridos, mas ainda deu tempo para ir ao museu do espumante Murganheira, que com tantas voltas nem fiquei a saber bem onde fica aquilo. Ali visitamos o palacete, que segundo a guia era antigo até dizer basta (eheh, estava distraído quando falou), cujas salas estavam decoradas e preenchidas com motivos relacionados com o champanhe e no final provamos o famoso e bem adamado néctar.

De regresso a Tarouca, almoçamos no restaurante Tio Pedro onde comemos uma refeição ao gosto de todos (carne assada), feita por uma cozinheira que se revelou no final uma fã das motos, tendo tirado uma carrada de fotografias connosco. O almoço tinha sido tão bom e o ambiente tão familiar que quase me ía esquecendo de pagar!
Esta obra da engenharia é uma Nimbus 750 Luxus de 1938

Éramos 22 motos e quase o dobro de participantes, pois a maioria levava acompanhante - uma particularidade comum nestes passeios, a companheira costuma participar porque a coitada também ficou contagiada pelo vírus das motos antigas :-).

Uma Zundap com uma configuração de motor parecido às BMW
Estava calor, calculo que cerca de 30 graus naquele local abrigado com reflexos do sol. O pessoal não resistiu. Descascou-se e muitos não tiveram problemas inclusive em por os braços ao léu. Voltamos a subir em direcção à montanha. Agora vão entender porque chamei temeroso à serra do Montemuro. Começamos a ver uma línguas de nuvens alongadas ao longo da montanha e entramos nelas… foi como se passássemos do Brasil para a Antártida! O pessoal enregelou instantaneamente e da mesma forma parou para voltar a vestir aquilo que tirou. É que não dava para aguentar!


BMW R69 S
Depois disso voltamos a percorrer por outros caminhos a "dita-cuja-serra-cujo-nome-não-devemos-pronunciar" sob pena de desaparecermos nas suas entranhas, mas aquilo já não era o que foi: ficou tudo enevoado e estava uma brisa que até metia dó! O tempo tinha mudado.

Descidos até Cinfães, atravessamos a barragem do Carrapatelo e lá fomos nós de regresso ao ponto de partida, Abragão.

O evento ainda mal estava a meio. Seguia-se o jantar e depois todo o dia seguinte com outro passeio, mas sobre isso já não falo porque não estive presente.


Outra BMW algo modificada, mas muito bem acabada!
Eram 19h00. Sem grandes delongas despedi-me e voltei a abastecer para meter-me à estrada até Chaves. Desta vez e não sei bem porquê dei mais gás e a minha menina japonesa reagiu bem, com alegria, com o espirito desportivo com que foi construída. Andamos juntos naquele dia cerca de 500 Km e nem ela nem eu acusamos o esforço.

Para o ano quero participar nos dois dias, mas o organizador, o Ferreira, já me disse que talvez não haja mais. mas eu prefiro pensar que quando o disse, estava com a disposição da cabra que está a parir e grita - "nunca mais! nunca mais!", mas mais tarde, quando vê os seus belos e ternurentos cabritinhos olha e diz carinhosamente "veremos, veremos".

Assina, o cabritinho reconhecido. Parabéns!
Uma Honda CB450 dos anos 60
Pormenores da Zundap, com linhas arredondadas e bem terminadas
Não resisti gravar em vídeo o motor da Nimbus a trabalhar, um 4 cilindros em linha longitudinal,  onde os balancetes, estando inusualmente à vista, sobem e descem num frenesim incessante: 
 
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Passeio por Mogadouro: 4 horas sem um golo de água


Antes de partit

Este passeio não tem nada de especial, dirás tu. Mas para mim tem e para o meu amigo Filipe também me pareceu que sim. Isto porque, depois da travessia de um duro Inverno a ver a moto "prostrada" na garagem e muitos meses sem andar juntos, este passeio foi como, em termos religiosos, renovar a alma, e em termos de actos médicos, uma transfusão de sangue, eheh.

O dia estava perfeito, um sol límpido e brilhante, que enchia a paisagem de luz e cor, dando-nos vontade, não só andar de moto, mas também de voar (hummm, quem me dera ter asas).

O trajecto
A estrada, limpa de pós e areias e bem conservada, convidava rasgá-la ao meio com as nossas motos, mas eu, cauteloso, avisei logo antes da partida que estava cheio de ferrugem no corpo e na mente e por isso não esperasse grandes cavalgadas.

A resposta dele foi para eu ir à frente. Uma dúzia de curvas depois e os pneus bem quentes, qual ferrugem qual diabo! gááááááás!!! Até Bragança foi sempre a curvar, acelerar, travar, em resumo, disfrutar como já não o fazia há muito tempo. O Filipe claro, sempre a acompanhar, quanto mais eu andava, mais ele acelerava, era como se lhe estivesse a lançar rebuçados.

Filipe e o seu gps improvisado
Em Bragança, ainda meios turvados com a adrenalina, surgiu-nos a dúvida, e agora para onde vamos? Por Mogadouro! Depois de uma mal sucedida tentativa de montar o gps na moto (a ventosa não colava no depósito), para nos orientarmos, recorremos à forma mais tradicional - falar com um taxista.

É provável que já tenha passado por estas estradas em ocasiões anteriores, mas como não é usual não tenho a certeza, mas tenho que dizer que à medida que avançavamos, mais me caíam os queixos com o gosto que aquilo me estava a dar. Curvas redondas e penosas para os carros, mas um mimo para as nossa motos. Até Mogadouro foi uma delícia e daí até Vila Flor foi um sopro pelo já nosso conhecido IC5 (ver anterior artigo). O objectivo era almoçar em casa e as horas começaram a apertar. De Vila Flor a Mirandela, pela N213, é sempre agradável passar por lá, em especial nesta época, ao inalarmos o agradável cheiro dos lagares de azeite, que agora trabalham a todo o gás.


Em Bragança
De Mirandela a Chaves, nada de novo, muito rápida até Valpaços e muitas curvas e bom piso até Chaves, mas cheia de limites de velocidade, localidades, rotundas, etc.

A voltinha, (320Km) foi tão frenética e entusiasmante que nem nos ocorreu parar para beber um golo de água. Nós é que somos uns bebedores!!! Mas ficou-nos água na boca para mais.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Viagem pelo litoral Alentejano até ao Algarve





O trajecto

Depois de 3 lés-a-lés e muitas viagens por este país fora, tenho a impressão de conhecer bastante bem Portugal, mas a encosta alentejana soa-me a muito vago, pelo que, sob o pretexto de ir ver uma prova de WTCC a Portimão, resolvi no início deste mês, partir à descoberta da beleza do litoral Alentejano.
Início do percurso
Depois de pernoitar em Lisboa, arranquei ao meio da manhã, dirigindo-me pelo itinerário mais direto, via ponte Salazar – Almada – A2/IP7, saindo na nacional IC1 antes do cruzamento da Marateca.
O rio Sado e os seus arrozais
Logo de início tinha decidido não ir a Tróia, um lugar de belas e extensas praias, por ainda ter muito presente na memória aquele local e por isso só considerei como verdadeiro início do meu roteiro, quando passei Alcácer do Sal. E aí fui presenteado com um belíssimo postal: o rio Sado, rodeado de verdejantes arrozais, com algumas cegonhas à procura de algo para a sua dieta.
Santiago do Cacém
Depois passei uma terra que em nada soa a Alentejo – Santiago do Cacém. Cacém soa a Lisboa, mais por culpa de uma paragem de comboio na linha de Sintra que lhe dá fama e  é uma freguesia de Sintra.
Continuando, rapidamente passei ao largo Grândola, pelo IP8, que me levou por vias largas (algumas por acabar) até Sines. E aí tive o primeiro contacto com o mar. Estava tão apetecível que acabei por parar e apreciar a paisagem com mais detalhe. O contraste era grande: de um lado, convidativas praias de areia fina com o mar espraiado, e do outro, uma gigantesca central termoelétrica com duas ameaçadoras chaminés a apontar para o céu.
Sines: praia e poluição
Saí da nacional N120/IC4 para uma estrada secundária e depois disto foi como entrar no paraíso, que também é o início de zona protegida (Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina). Depois de praias e mais praias entrecortadas entre dunas altivas, cheguei a Porto Côvo, uma terra que nos parece ser familiar e até dá saudades, mesmo sem ter lá ido, muito por culpa do Rui Veloso. Foi a região que me pareceu menos explorada, pese embora dar-me a noção que no pico do Verão, deve ser uma gigantesca invasão do pessoal de Lisboa.
A beleza da encosta
 Passados os momentos de êxtase, que as fotos não conseguem traduzir, seguiu-se outra paragem não menos icónica – Vila Nova de Milfontes. A grande nota dominante desta terra é a foz do rio Mira com um discreto castelo, o forte de S. Clemente, que foi construído no final do séc. XVI para travar os constantes assaltos de piratas magrebinos.
À entrada de Porto Côvo
Passados mais uns quilómetros, entrei naquela que me deixou mais boquiaberto, no que a beleza se refere – Zambujeira do Mar, com uma praia simplesmente fantástica, que depois de lá estar não deve dar vontade de mais de lá sair.
Passado este trio de locais arrebatadores, entrei numa estrada muito interessante – a N120: um piso perfeito, com muitas e bem desenhadas curvas, que mais me fazia sentir no Norte do que no Alentejo.
Vila Nova de Milfontes: vista do outro lado do rio Mira
Depois disto comecei a afastar-me do mar até que atravessei Aljezur, do qual apenas consigo realçar o castelo que bate nos olhos de qualquer visitante que vem do norte, lá no alto de uma pálida montanha.
Com o mar cada vez mais longe, a paisagem passou a ser mais seca e austera e por coincidência o sol começou a dar lugar a uma névoa cada vez mais intensa. Vi uma placa para a direita a indicar Sagres e foi por aí que eu fui – sempre a rumar para o mar! A paisagem alternava entre longas retas e curvas que serpenteavam por entre montes cheios de vegetação rasteira. Chegado a uma terra chamada Carrapateira, resolvi arriscar por uns caminhos em terra e aí vi mais uma zona de encosta protegida, rodeada de extensas dunas, mas também muito cuidada para o visitante poder apreciar, sem estragar.
Zambujeira do Mar, praia
A paisagem mudou de figura: as brilhantes praias de areia, deram lugar a encostas agrestes com rochas e escarpados, agravadas pelo céu cinzento, mas que não deixavam de ser de uma grande beleza.
Continuei a rumar para sul, e a névoa cada vez mais densa, que tornava o ar marítimo cada vez mais desagradável. Parecia que me estava a aproximar do cabo das tormentas!
N120 - curva bem redonda em Ocedeixe
Cheguei a Vila do Bispo, já pouco motivado pelo tempo e a tarde a findar. Mesmo assim resolvi ir à vila de Sagres, apesar de já lá ter ido anteriormente. Arrependi-me. Depois de umas longas e fastidiosas retas cheguei lá e vi… nevoeiro. Estive apenas o tempo suficiente para tirar uma foto e regressei.
Chegado ao ponto inicial, não pensei noutra coisa senão ir direto para Lagos, pois, para ver nevoeiro, podia fazê-lo na casa de banho ao fim de 5 minutos de um banho quentinho! Hummm!

Estatística:
·  Distância do percurso – 363 Km;
·  Velocidade média (com paragens) – 50 km/h;
·  Consumo – 4,7 l/100 Km;
·  Ascensão acumulada – 2310 m;
·  Ponto mais alto alcançado (Atalaia, Grândola) – 320 m; 
·  Ponto mais baixo alcançado (vários locais) – 4 m.


Aljezur e o seu castelo






Cruzamento para Vila do Bispo e Sagres


Carrapateira, junto ao mar
Encostas rochosas

Forte de Sagres

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Passeio no interior norte - descobrir o IC5


A azul - o trajecto efectuado

Já andava algo faminto, quase desesperado em fazer uma cavalgada na minha RaTa.
Tinha ouvido falar da inauguração do último troço do IC5, mas mesmo na net a informação é escassa. Por isso, de um momento para o outro agarrei no meu GPS e lancei-me à estrada.
Fui em direcção à vila onde diziam que tinha o seu início e chegado a Murça, nem sequer uma placa a indicar onde ou para onde era (por sinal o Presidente da Câmara achou tão importante a obra que nada fez). Lá tive que utilizar a técnica mais eficiente para colher informações fidedignas e dirigi-me a um posto de gasolina. Aí fui confrontado com a primeira mentira: afinal o IC5 não começa em Murça, quem quiser desfrutar desta grande infra-estrutura, tem que andar mais 11 Km. Lá tive que fazer as apertadas e fastidiosas curvas da famosa “Rampa Porca de Murça” (há quem goste, eu não) e no cruzamento com o IP4 (em obras) lá começou o famigerado IC5.

Início do IC5
A obra sem dúvida é de respeito. A configuração é a tradicional para um IP (uma via para cada lado e duas vias nas subidas), mas tem imensas rectas longas, as curvas são amplas e tem muitas pontes a ultrapassar rios e vales. A velocidade autorizada é de 90 Km/h mas dá para circular perfeitamente a velocidades (com segurança) que dão direito a ficar sem carta durante muito tempo.
Depois de atravessarmos o concelho de Alijó, rapidamente passamos Carrazeda de Ansiães. Note-se que em mais de metade do percurso do IC5, até Mogadouro, concretiza uma ligação outrora inexistente.
Íamos então ao largo de Carrazeda. Nem se chega a ver. De imediato o sentido inflecte de Este para Nordeste, passando Vila Flor quando, passados um par de quilómetros, desaguamos numa rotunda sem qualquer indicação de continuidade do IC5. Antes disso, tinha visto que para a direita podia rumar para a Guarda via IP2 e contornando a rotunda poderia virar para o IP2 em direcção Norte, para Macedo de Cavaleiros, etc..
Antes do cruzamento para Vila Flor
A minha reacção foi não reagir; continuei pela nacional até que me fartei e vi que para ali não era de certeza o famigerado itinerário. Mais uma vez dirigi-me ao um posto de informação, quero dizer, de combustível, e aí informaram-me que a direcção era do IP2, mas 2 Km depois teria uma indicação para seguir o IC5. Talvez para me sentir menos estúpido, também me confirmou que não faltavam por aqueles lados, condutores enganados, devido à sinalização insuficiente. É assim que andamos (mal) governados.
Pois bem, lá voltei para trás e depois de entrar no IP2, apareceu a dita indicação para virar à esquerda a 1500m em direcção a Mogadouro, etc..
Muitas pontes e muitas retas
A partir daqui o trajecto passou a ser mais isolado de povoações e terrenos agrícolas, com muitas subidas e descidas, rodeadas de mato de giesta, urze, e alguns pinheiros e carvalhos que se devem ter salvado da devastação de fogos de outros anos.
No entanto era inevitável apreciar o verdejante da paisagem. Depois da perspectiva de uma grave seca, fomos abençoados com uma abundante chuva, resultando numa Primavera glamorosa. Agora há que saber apreciar.
Alfandega da Fé também passa despercebido, mas em contrapartida deparamo-nos com um dos mais belos postais do trajecto – Mogadouro, enquadrado por verdejantes campos de cereais.
Paisagem para o rio
A partir daqui até ao fim do percurso em Duas Igrejas, (a 8 Km de Miranda do Douro) seguiram-se retas de perder de vista, sempre acompanhado pela N102, convidando-me a enrolar o punho, mas não caí na tentação, pois o objectivo era muito mais enriquecedor – tão somente apreciar a paisagem.
Uma coisa que reparei em todo o trajecto, é que o mesmo estava literalmente “às moscas”. Um carro ou um camião de vez em quando…. mas que é que se passa?, perguntei eu a mim próprio. Os combustíveis estão caros, mas não existem portagens, pelo menos por agora. Depois na estrada nacional em direcção a Vimioso constatei a mesma coisa, chegando à inevitável conclusão de que todo o norte interior está deserto. Digamos que ter feito o IC5 naquele local, é como fazer um restaurante num cemitério e esperar que os residentes lá vão. Tarde demais.
Mogadouro
Também vi por três vezes cartazes de agradecimentos ao nosso mais recente ex- primeiro-ministro: “ Obrigado Sócrates, o povo de/o PS de / o concelho de (…) está agradecido”. Bom, sobre isso eu só tenho a acrescentar que não só eles, devem estar muito agradecidas, mas também as empresas construtoras, os seus dirigentes, nos quais estão incluídos políticos e respectivas famílias, a banca e todo o país em geral, por toda a dívida acumulada e que agora temos que pagar com elevados juros e sacrifícios.
Passado Vimioso, armei-me em inteligente e segui as placas para Bragança, ignorando o (bom?) conselho do GPS que me dizia insistentemente para ir para Norte pela N218-2, por Pinelo.
Ainda não sei se fiz bem ou mal, só sei que a estrada era larga mas algo irregular, desembocando no IP4 sem contar, já muito perto da fronteira de Quintanilha.
Ao aproximar-me de Bragança, levei com mais uma rasteira. Entrei sem contar na nova auto-estrada e ainda tremi quando vi a anunciar “troço com portagem”, mas felizmente saí imediatamente antes, pela entrada Sul da cidade (o IP4 contorna pelo Norte e a AE pelo sul).
Depois de uma demorada paragem, lá fui eu para a minha estrada preferida em direcção a Chaves– a N103. Já tinha tantas saudades, que nem me rendeu nada. Apenas o sol, a aflorar no cimo das montanhas, me fazia lembrar que o dia estava a chegar ao fim.


Estatística:
·  Distância do percurso – 381 Km;
·  Distância do IC5 (aprox) – 140 Km
·  Velocidade média – 82 km/h;
·  Consumo – 4,9 l/100 Km;
·  Ascensão acumulada – 5871 m;
·  Ponto mais alto alcançado (Sta. Leocádia, Carrazedo Montenegro)– 922 m;
·  Ponto mais baixo alcançado (perto Vila Flor – IP2)– 195 m.