Comentário das imagens expostas
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Passeio à Régua
Segue o vídeo do passeio que fizemos à Régua. Eu sou aquele que está atrás da câmara, ah!ah!ah!
quarta-feira, 8 de março de 2017
BMW R1200RS – a moto mágica
Caso não se note na alegria das minhas palavras, desde já revelo
que foi esta a moto eleita. Tive tanta sorte que na última da hora apareceu o
negócio que estava suplicando (e vigiando) há cerca de um ano!
A RS é o espelho da minha alma, o culminar de três décadas
em moto, o regresso à origem, ao tempo em que em 1989, comprei a minha primeira
moto a sério, uma Suzuki GSX750F com um alucinante motor ar/óleo de 109 cv,
cheio de carácter, herdado das primeiras super desportivas Suzuki Racing!
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| Suzuki GSX-F750 |
Ao longo dos anos, as sport-touring (desporto-turismo, e
que abreviadamente passo a designar de ST) quase se extinguiram em benefício
das polivalentes e cada vez mais potentes trail e ultimamente as SUV, motos
trail 100% estradistas.
A situação ainda se mantém, mas algumas marcas, como a
Honda com as suas VFR (800 e 1200), a Kawasaki com a ZXR-SX continuam a
insistir nesta vertente que continua a ter muitos adeptos. Não contemplo a Suzuki
GSX-S1000F porque tem o guiador alto de uma naked, uma protecção aerodinâmica diminuta,
o passageiro quase não tem assento onde por o rabo e não contempla malas de
origem! Ou seja, tem uma arquitectura esquisita, difícil de definir, que a
afasta do conceito ST.
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| BMW R1100RS |
Em 1993 a BMW lançou uma ST, a R1200RS, mas era quase uma
espécie de BMW RT (turística) com a cúpula mais pequena e o guiador mais baixo,
e por isso com um carácter pouco desportivo. Apesar de não ser uma rainha da
beleza, ainda aguentou no mercado 8 anos!
Mais tarde em 20015 nova tentativa, a R1200ST, desta vez um
pouco mais “sport” que a anterior, mas os desenhadores deviam estar
pouco inspirados e com o feiinha que era, o sucesso comercial foi
escasso e por isso não durou no mercado mais de 3 anos.
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| BMW R1200ST |
Recentemente a BMW ganhou novamente fôlego e em 2015 reeditou
a RS, um modelo carenado de corte desportivo, feita com base na naked R e
linhas inspiradas na S1000R, incorporando o moderno motor boxer a ar/água que
já equipava a GS e a RT.
Antes de mais quero salientar, em especial a todos aqueles
que tenham dúvidas, este motor nada tem que ver com o anterior. Nada! O motor
actual conserva a configuração boxer, e é a única coisa rudimentar que
decidiram conservar, tão só e apenas por questões de tradição. Esse para mim é
o primeiro defeito! Se não soubesse para que servem aqueles dois cilindros
saídos para cada um dos lados, a primeira coisa que faria era ir a um
serralheiro para que os cortasse!
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| BMW R1200RS |
Mas fora isso, está cheio de virtudes! Dotado de embraiagem
em banho de óleo deslizante e de toda uma panóplia de itens tecnológicos de
ponta, arranca ao primeiro toque de botão e tem um funcionamento fino como a
seda (quem já teve o anterior motor compreende porque realço isto). A caixa faz
o tradicional “clonc” ao arrancar, mas depois em andamento, quase não se nota
mudar de caixa.
A potencia e o binário – 125 cv às 7.750 rpm e 125Nm às
6.500 rpm, à primeira vista podem parecer limitados face à concorrência, mas
vejamos por exemplo, uma Ducati Multistrada 1200 de 2015 que tem 160 cv às
9.500 rpm e 136Nm às 7.500 rpm, uns dados nitidamente superiores, mas
lamentavelmente só alcançáveis em rotações quase proibitivas, tanto pelo limite
da lei como para a nossa segurança.
Passando adiante, passo ao propósito deste artigo,
transmitir sensações na condução.
Ao volante, a posição resulta cómoda e agradável. Para a
minha compleição física e para os meus 1,74 m posso dizer que resulta perfeito
– os braços ficam a meio caminho entre o turístico e o desportivo o que, em
conjunto com o generoso espaço longitudinal oferecido pelo assento, permite
escolher entre uma postura que pode carregar mais ou menos peso nos braços, ou
seja, uma postura mais ou menos desportiva. As pernas também ficam mediamente
flectidas, sem comprometer o conforto em percursos mais longos. Parado, os pés
ficam ambos bem plantados no chão.
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| Quadrante |
O quadrante ademais de agradável é muito intuitivo e bem
arrumado. Nesta versão o computador de bordo fornece dados até à exaustão. Com
apenas um botão que báscula em dois sentidos permite-nos aceder a 31 dados ou
opções!
Não vou aqui dar seca daquilo que tem, vou apenas destacar
algumas coisas que achei curiosas. Por exemplo, conforme o motor vai aquecendo,
o conta-rotações digital indica com uma barra a limitação das rotações máximas
para evitar acelerar com o motor frio. Outra, é a possibilidade de mostrar três
modos diferentes do computador de bordo: uma completa e bem arrumada (style 0),
outra mais simples e mais racing (style 1) e a terceira, a mais espartana
destinada à condução mais relaxada e touring (style 2) (ver foto).
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| Modos de visualização do computador de bordo |
Chegado a hora de arrancar, roda-se a chave, pressiona-se o
botão de arranque e o motor roda com imenso vigor pegando de forma imediata! Um
contraste enorme com o boxer da anterior geração que parecia que se afogava ou que
a bateria estava fraca.
A partir daí, com uma embraiagem tão suave e fácil de
accionar que quase não se nota, a primeira velocidade entra com o desagradável
“clonc” e depois é só vigor e energia. A transmissão por cardan não gera
qualquer efeito negativo (a embraiagem deslizante ajudará certamente…) e tão
pouco a disposição horizontal dos cilindros.
Esta versão tem um dispositivo (um extra de que fiz questão
por na moto) e de que falei maravilhas num artigo anterior – o quick shifter. Graças a
esta decisão, este dispositivo quase invisível tornou-se o meu brinquedo
preferido! Pelo facto de a caixa de velocidades deste motor estar dotado com
rodas dentadas helicoidais, permite que o as mudanças permitam ser accionadas
sem embraiagem, tanto a reduzir como a aumentar, o que a torna muito, muito
divertida, prática e muito eficiente, fazendo-nos sentir um verdadeiro piloto
de motos “racing”!
O principio de accionamento é muito simples. Para aumentar
a velocidade tem que estar o acelerador aberto e dar um toque para cima na
alavanca com o pé, e para reduzir, o acelerador tem que estar fechado e fazer a
operação inversa com o pé.
Para tirar pleno rendimento do sistema requer alguma
habituação, em especial ao baixar de velocidade, devido a estar habituado toda
a vida a fazer reduções convencionais com a manobra de dar gás em seco,
embraiar, reduzir, e ao mesmo tempo proceder à travagem antes de, por exemplo,
uma curva. Ainda estou a adaptar-me, mas o sistema é completamente viciante,
acabando por se utilizar a embraiagem só quando requer arrancar ou parar ou
quando se rola a baixa velocidade.
Tendo a moto um centro de gravidade baixo, é extremamente
fácil curvar com ela. Ainda estou a explorar o sofisticado controle de tracção (CT)
regulável em 3 níveis (associado aos 3 modos de potência do motor), no sentido
de poder sair mais rápido nas curvas sem derrapar de forma excessiva ou
descontrolada. Desde já afirmo que não é fácil activar esse sistema, pois os
pneus por si só já têm muita aderência e então se queremos ir ainda mais rápido
com o CT “a apitar”, aí já atingimos velocidades em curva pouco recomendáveis
tanto para a nossa segurança como para a daqueles que nos rodeiam.
Falando de curvar, aproveito para abordar mais um senão
desta moto, o peso. Volto a dizer que é muito fácil de levar nas curvas, mesmo
muito bem, mas também se nota que a versatilidade avantajada desta ST se paga
com quilos. Uma desportiva de topo tem cerca de 200 Kg e a RS, já confirmei na
balança com depósito cheio e suportes das malas – acusa 245 Kg (239 Kg
declarados pela marca)! Sim, o ideal era que tivesse menos 20-30 Kg. Isso melhoraria
a curvar, mas depois ficaria curta na vertente turística como acontece, por
exemplo, à Suzuki GSX-S1000F. Já se sabe, não há bela sem senão…
Os pneus são uns Michelin Pilot Road 4. Já tinha andado com
versões anteriores, mas com estes é a primeira vez. Até agora têm-se portado de
forma irrepreensível. Até agora, tanto em seco como em chuva, ainda não me
deram um único aviso negativo ou susto. Resta ver como se comportam na segunda
metade da sua vida e a sua duração, mas se assim continuarem, repito.
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| O acessório colocado no guarda-lamas |
Junto à roda traseira há um utensílio que pela sua falta,
acabei por comprar um em marcas auxiliares (Wunderlich). Estou a referir-me à
parte anterior do guarda-lamas traseiro que é muito importante em caso de chuva,
porque protege o amortecedor e toda a parte inferior das pernas e botas (ver
foto).
Uma ST é uma moto exclusivamente de estrada e dentro desse
âmbito é o tipo de moto mais versátil para usar todo o ano, seja para as voltas
na cidade, saídas em plano desportivo, para o trabalho ou para viagens mais
longas.
| A moto com as malas |
Com a nova RS, a BMW levou quase à perfeição sobre aquilo
que deve ser uma ST. A moto com o vidro (cúpula) em baixo fica com um visual
deveras desportivo, mas se o levanto, basculando os 6 cm disponíveis, ademais
ponho as 3 malas de origem e contando com o controle de velocidade (cruise
control), os punhos aquecidos (e a transmissão por cardan que dispensa
manutenção) que estão já integrados no
equipamento e… tacham!!! Magia! A moto em poucos minutos fica turística a 100%,
apta para viajar sem limites!
Ressalvo que o vidro, o qual tem 4 posições, duas
desapertando 4 parafusos (ganham-se 2 cm) e outras duas basculando, verifica-se
que, mesmo na posição mais alta, fica curto para a minha estatura, provocando o
desagradável ruído de turbulência no capacete. Por isso decidi adquirir outro para
viagens mais longas, que desvie o ar do capacete. Dentro da muita oferta que
existe, optei por um da marca Puig, 10 cm mais alto que o original e funciona
na perfeição!
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| Cúpulas |
Quero também fazer uma breve referência às suspensões. A
BMW declara que são completamente automáticas, que regulam o seu comportamento de
forma instantânea a cada tipo de piso. Por isso só tem disponível duas posições:
a “road” para condução normal e a “dynamic” para condução desportiva. Para além
disso, tem 3 posições para a regulação electrónica da pré-carga da mola,
conforme tenha mais ou menos peso.
Há um detalhe curioso que quero salienta. Tem 140 mm de
recorrido em ambas suspensões, sendo que normalmente numa ST ronda os 120 mm.
Estes 20 mm extra podem ser vantajosos na hora de subir um passeio, em piso
bastante degradado, ou mesmo por caminhos, devagarinho. Desconfio que este plus
é para que a moto fique mais alta e assim ao curvar, conferir
maior distância dos cilindros ao asfalto. Suposições…
Sobre consumos, até tenho receio de falar nisso, pois quase
parece mentira pelo bons que são. Em passeios dominicais a ritmo bem alegre por
estrada nacional, não passou dos 4,5 litros.
Em aditamento (02Abr17), posso anunciar que bati o recorde de consumo nunca antes feito com uma moto - 3,7 litros/100Km, que na realidade podem ser 3,9 litros. Isto feito a um ritmo de velocidade legal, evitando reduções e acelerações bruscas e nunca ultrapassando os 100 Km/h reais.
Posso também acrescentar que, com piloto e malas laterais bem carregadas, em bom ritmo por estradas nacionais, anda à volta dos 5,0 litros e em auto-estrada a 120Km/h reais andará à volta dos 5,5 litros. Excelente para uma 1200 cc, não?!
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| Consumo recorde num percurso de 108 Km em montanha |
Posso também acrescentar que, com piloto e malas laterais bem carregadas, em bom ritmo por estradas nacionais, anda à volta dos 5,0 litros e em auto-estrada a 120Km/h reais andará à volta dos 5,5 litros. Excelente para uma 1200 cc, não?!
Ah! O depósito fica um bocado curto dentro da versatilidade
de que faz jus, tem apenas 18 litros. Se pudesse pedir, o ideal seriam os 20
litros.
Sobre a travagem pouco há a dizer pelo bem que funciona. É
assistida por travões Brembo, é doseável e efectiva.
Em minha opinião esta moto é sem dúvida a melhor opção do
segmento do ST (senão não a comprava, eh! eh!) e também a mais cara! Alguém
poderá dizer que, por exemplo, a Honda VFR 1200F será melhor por ter um V4 com
160 cv, mas tem o problema do peso, que superando os 270 Kg (!) perde
agilidade, posicionando-a ao nível de uma turística.
Resumindo:
Gosto:
·
Motor moderno potente
e agradável
·
Consumo
·
Possibilidades
turísticas
·
Tacto da embraiagem e
travões
·
Quick shifter
·
Posição de condução
·
Estética
·
Transmissão por veio
·
Possui cruise control
e punhos aquecidos
·
Control de tracção
sofisticado
·
Suspensões
electrónicas
·
Malas laterais e top
case
·
Suspensões com 140 mm
de recorrido
Não gosto:
·
Posicionamento
destacado do velocímetro
·
Peso
·
Preço nova
·
Depósito de gasolina pequeno
·
Cilindros boxer
·
Clonc da 1ª velocidade
·
Falta a parte anterior
do guarda-lamas traseiro
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Comparativo Honda CRF1000L Africa Twin- Ducati Multistrada 950 – BMW R1200RS – Honda VRF800X Crossrunner
Reconheço que este comparativo é um pouco esquisito,
pela diversidade de motos de categorias diferentes.
O motivo desta
reunião estranha é muito simples. As mesmas são as minhas finalistas para a
escolha da minha próxima moto.
Eu sempre fui
de motos de estrada, com carácter desportivo, mas sendo consciente de que
quando se quer fazer muitos quilómetros seguidos há que ter um mínimo de
conforto, na prática, em busca desse equilíbrio, acabei por ter de tudo um
pouco.
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| Perspectiva sensual da Africa Twin |
O mesmo aconteceu
nesta minha selecção. A Africa Twin, com as suas rodas raiadas de 21 e 18
polegadas e câmara de ar, é uma trail com forte caracter todo terreno; A
Multistrada é uma trail maioritariamente estradista, mas cuja roda dianteira de
19 polegadas lhe dá alguma versatilidade para sair por caminhos e subir
passeios; a R1200RS é uma sport-turismo com uma vertente extra de conforto,
dado pelo seu guiador um nadinha mais levantado que o normal e a possibilidade
de levar malas rígidas laterais e top case. Por fim a Crossrunner, que é uma
versátil moto de estrada, com tudo aquilo que tem a eterna sport-turismo VFR
clássica (rodas, motor, quadro), mas com a configuração de uma trail.
Esta última, a
Crossrunner, foi a última incorporação que fiz ao lote, porque me pareceu a
melhor relação qualidade-preço. Tem o comprovado, mítico e fantástico motor V4 de 800cc, com tecnologia VTEC, ciclística de primeira linha, tudo evoluído ao longo
de décadas. Ademais toda a iluminação é de tecnologia led, controle de tracção
com dois níveis, ademais do já obrigatório ABS.
A única coisa que lhe está a
passar factura no seu sucesso comercial são as suas linhas pouco apelativas,
ao contrário do que está a acontecer à outra moto da minha selecção – a Africa
Twin, um verdadeiro sucesso de vendas.
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| A Crossrunner com todos os seus opcionais |
O motivo
principal pelo que adicionei a Africa Twin foi pela sua cativante estética, a
excelente qualidade dos seus componentes e a sua ligeireza (ver teste anterior). O único problema é que tem características
inequívocas que favorecem o todo-terreno (rodas, pneus, suspensões), que implicam
penalizar a dinâmica em asfalto. E logo para mim que tenho poucas intenções de por
os pés na terra...
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| A Multistrada 950 com malas laterais |
A Multistrada
950 está “a sair do forno”. As suas linhas são quase decalcadas da sua irmã
maior 1200, mas herda alguns componentes da Enduro e com isso fica mais
versátil, com uma roda de 19 polegadas à frente, com mais distância ao solo e
outros detalhes de conforto.
Por fim a R
1200 RS. Esta moto está noutro nível, não só pelo preço, mas também por toda a
tecnologia e equipamento de que dispõe. Mas há sempre a possibilidade de
comprá-la semi-nova, e com isso o preço nivela-se pelas outras em estado novo.
A RS tem as suspensões
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| A BMW no seu look mais desportivo, sem opcionais |
Para ser mais
preciso e exaustivo no meu critério de escolha, procedi à elaboração de um
quadro, donde pretendo de uma forma objectiva ou subjectiva (gosto pessoal)
realçar os aspectos mais importantes e atribuir-lhes um valor de 0 a 5,
mediante o nível de importância que lhe atribuo. São criadas duas secções. A dos
itens que gosto (positivo), e aqueles que não gosto (negativo) e depois faço um
sub-total para cada secção. No fim da tabela aparece a classificação final,
donde se soma o sub-total dos “gosto” com os “não gosto”.
Aquela que no final reúna maior número de pontos positivos, é teoricamente
a grande eleita, mas como estamos a comparar motos de segmentos diferentes, atribuo-lhe
a cada uma a sua classificação específica de acordo com o seu segmento.![]() |
| Tabela comparativa (clicar para ver maior) |
Segue-se um quadro donde constam os dados da altura do assento e donde se pode ver a posição relativa dos diversos componentes, como é a altura do guiador, o espaço que vai do assento do piloto até ao guiador (o valor indicado não é métrico/real, é apenas comparativo), a altura da moto ao chão, etc.
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| Comparativo Multistrada 950 - Africa Twin - R1200RS |
Ali podemos
verificar que a BMW é a que tem a altura de assento mais baixo (a diferença
apreciada parece-me um pouco desproporcionada, mas foi o que deu, procurando
que as imagens tivessem a mesma proporção…) e a Africa Twin, mais alto, a
altura do guiador é praticamente igual na Africa Twin, na Ducati e na
Crossrunner e mais baixo na BMW.
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| Comparativo Crossrunner - AfricaTwin - R1200RS |
A distância do
motor ao solo é nitidamente mais alto na Honda, mas a altura da Ducati e da Crossrunner pouco maior é que a da BMW.
Por fim podemos ver que a BMW é aquela que tem mais espaço longitudinal
do assento do piloto até ao guiador.
Este
comparativo é meramente estatístico, cujo objectivo é dar aos leitores detalhes
que não saltam à primeira vista e com isso ajudar a decidir por um ou outro
modelo.
Espero que
este estudo sirva de alguma coisa, como me serviu a mim. Bom proveito!
domingo, 11 de dezembro de 2016
Honda CRF África Twin DCT – A perfeição do automatismo
Anteriormente já tinha publicado o meu
contacto com a África Twin e agora a Moto Veiga
(Braga) deu-me a oportunidade de provar
a versão que ademais de já ter ABS e controle de tracção também é automática.
Desta vez a volta foi bem maior,
permitindo-me consolidar a opinião que já tinha do anterior contacto.
| A moto do teste |
Revendo aquilo que escrevi tenho agora
que reconhecer que, pese embora não ter dito nenhuma mentira, fui um pouco duro
e injusto pela forma como realcei pequenos defeitos que não são nada para uma
moto que globalmente é excelente.
Depois disto, pouco ou nada mais tenho a
acrescentar sobre as suas qualidades. É uma moto muito ligeira e maneável, que
confere confiança logo no primeiro contacto e neste segundo teste transmitiu
exactamente as mesmas boas sensações.
Mas o motivo principal deste artigo é o
inédito sistema de transmissão automática (em motos), designada pela Honda de
DCT (Dual Clutch Transmission).
Há uns anos já tinha andado na exclusiva
DN-01, cuja transmissão não era de dupla embraiagem, mas a verdade é que na
prática, o accionamento era muito parecido ao actual.
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| Diferenças no motor |
Esta transmissão é exclusiva no mercado
das motos, sendo que a Honda está nesta África Twin, a apresentar a 3ª geração
deste sistema.
Para além de eu estar de compras para comprar
uma moto e isto aguçar-me o interesse, o sistema DCT é deveras atractivo para
quem está disposto a dar um passo em frente na tecnologia. Eu sou um daqueles que
pertence à maioria de cépticos conservadores que pensam que manual é mais
divertido, mas não há nada como experimentar para tirar as dúvidas.
Passando à sua descrição, a moto
apresenta exteriormente diferenças no lado direito do motor, com um maior
volume (ver imagem) e do lado esquerdo deixa de
ter o tradicional pedal de accionamento das velocidades. Porém para aqueles que
não conseguem evitar o tique das mudanças, têm disponível como acessório, por
450€, a mesma alavanca, mas desta vez para accionar sem embraiagem.
O resto de diferenças encontramos-as no
guiador.
Do lado esquerdo, no lugar da alavanca de
embraiagem, encontramos uma alavanca maior e de difícil accionamento em
andamento (para não confundir com a embraiagem) sendo o travão de
estacionamento que actua na roda traseira, para compensar a impossibilidade de
poder engatar a caixa manual.
À frente e atrás da pinha, temos as
patilhas mais e menos que nos permite com os dedos correspondentes (polegar e
indicador), subir e baixar manualmente as velocidades.
Do lado direito temos o botão fundamental
no automatismo desta máquina, sendo accionado pelo polegar (para quem o tem,
hehe!). Pressionando o N, a moto fica em ponto morto. Para andar, pressiona-se
o botão no seu lado direito D/S e é só acelerar para por a moto em andamento,
sem esquecer previamente de destravar o travão de estacionamento, claro! A
posição D (drive) é obtida na primeira pressão do botão e corresponde a um
andamento normal com passagens de caixa sem grandes acelerações. Se
pressionarmos novamente, obtemos a posição S (sport), a qual leva a acelerações
com mais rotações até que muda de velocidade. Dentro da posição Sport temos disponíveis 3 níveis (indicada no quadro de bordo). Do 1 ao 3 as acelerações
vão de menos a mais (na 1 menos e a 3 mais) e a mudança de nível obtém-se
pressionando de forma mais prolongada o botão, cerca de 2-3 segundos.
O botão A/M permite-nos optar pelo modo
automático ou manual (accionado pelas patilhas +/- da pinha esquerda), a pesar
de que mesmo estando a conduzir em modo automático, podemos alterar manualmente
a velocidade em qualquer altura.
Por fim temos o botão G – Gravel (gravilha),
destinado à condução todo-terreno, o qual altera a intervenção da embraiagem,
tornando o accionamento mais directo para conseguir mais tracção (não o
testei).
Posta em acção, a condução é
extraordinariamente simples e eficiente. Basta saber o botão que accionar e… nada,
não temos que pressionar a embraiagem, nem temos que meter velocidades com o
pé, não temos que fazer quase nada. Aceleramos, e o sistema sobe e baixa de
velocidades quase sem darmos conta sem variações ou soluços. Simplesmente
perfeito!
Requer habituação? Se for para conduzir
de forma normal, a adaptação é imediata, mas se queremos refinar um pouco mais
a condução e conduzir de uma forma mais rápida, precisa ou desportiva temos que
eleger com mais critério, qual o modo que irá de encontro ao tipo de condução
que vamos imprimir.
Por exemplo, tive uma situação em que, sem
eu contar, na posição D, ela inadvertidamente baixou de velocidade numa curva,
com a consequente alteração de estabilidade. Por isso, no caso de querermos
obter mais precisão, recomendo a condução manual com as patilhas.
O modo Sport funciona de forma precisa e efectiva,
mas neste caso prefiro ser eu a mandar e por isso a minha opção é accionar de
forma manual, indo de encontro ao que já disse no parágrafo anterior.
Por fim tenho que referir uma vantagem
que não salta à vista, mas deixamos de ter o desagrado de estragar os sapatos esquerdos
devido à alavanca da caixa.
Agora falta decidir. Primeiro há que
ultrapassar o cepticismo e o conservadorismo. Depois há que ter mais mil
cento e picos euros e considerar que a moto vai pesar mais cerca de 10 Kg que a
normal.
Penso que aqueles que se movem muito pela
cidade não devem ter dúvidas e devem comprar.
Pessoalmente, penso que é
mais interessante o quick shift. Este, para além
de mais barato pouco ou nada incrementa o peso e funciona muito bem. Como nesta
moto não há essa opção, penso que fico com a manual, pois também (e ainda) me
diverte mudar de velocidades!
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Yamaha Tracer 900 – Sensibilidade à flor da pele
Andava desejoso de testar esta moto por vários e diversos
motivos:
·
Nunca tinha
conduzido um motor de três cilindros, do qual falam maravilhas, aliás dizem que
é teoricamente, a configuração mais equilibrada pois beneficia da elasticidade
de um tetracilindro e do forte binário de um bicilindrico.
·
É uma moto
que, tendo em conta o seu preço, cerca de 10.500 €, está dotada de bons
componentes tecnológicos que beneficiam muito a sua estética, e teoricamente, a
sua dinâmica. Estou a falar por exemplo, do quadro e do basculante assimétrico
em alumínio, do acelerador electrónico com 3 modos de potência do motor e os
nada desprezíveis faróis frontais e traseiros em led, ainda um pouco raro na
sua categoria.. Estéticamente é uma moto que cativa. Para além dos componentes
já mencionados destaca o escape curto, que sai lateralmente pelo lado direito
da moto, e a própria configuração de hibrído de trail desportiva, com ambas as
rodas de 17”.
·
Por último,
estou na fase de comprar uma moto e esta está dentro do meu leque de opções,
pelo que tinha que agora verificar se será tão boa como interessante.
A cor vermelha “red lava” fica bem neste modelo (já não está
disponível em 2017), o qual tinha como extra um amortecedor de direcção Öhlins
e uns bem enquadrados e discretos suportes, assim como o correspondente
conjunto de malas Shad que pedi para retirar neste teste, para não influenciar
negativamente o seu comportamento.
Depois de uma rápida explicação, sentei-me na moto e passei
à acção.
A posição de condução é agradável, tipo supermotard e
o assento senti-o duro, em especial no centro.
| O quadro de bordo completamente digital |
O quadro de bordo é todo digital e está muito
completo e visível. Do lado esquerdo tem a informação fundamental, como é o
conta-rotações, velocidade instantânea, relógio, modo de motor, etc., e do lado
direito é o computador de bordo, que inclui a velocidade engrenada. Só tenho
pena que seja ainda naquela cor e fundo tradicional, que já vemos (farto de
ver!) nos relógios digitais há mais de 40 anos!
Ao arrancar o motor, mal se sente, quase não faz ruído,
mas depois ao acelerar em andamento nota-se um pouco mais de alma.
Primeiro tratei de sair do pára-arranca citadino. Encaminhei-me
para a nacional N15 que vai de Vila Real até Murça, mas tive antes que desembaraçar-me
das aldeias que se sucedem nas imediações da capital transmontana.
As suspensões cuja regulação não verifiquei, tal como
a pressão dos pneus, sentia-as duras e quando aparecia alguma irregularidade, a
moto saltava, não gerando confiança na condução.
Os travões travam muito bem, mas os dianteiros são
muito sensíveis ao primeiro toque da manete. O detrás, pelo contrário requer
toda a determinação do nosso pé para que se sinta o efeito, pelo que é
recomendável testar previamente para que se possa tirar partido do mesmo.
| Belos detalhes: escape e basculante em alumínio |
Nas curvas, não me senti à vontade para entrar cada
vez mais rápido e inclinado. À entrada da curva sentia uma espécie de
resistência a deitar-se. Ademais, ao sair da curva o acelerador é muito
sensível ao primeiro golpe de gás, sentindo-se uma espécie de gaguejo. Supondo
que isso seria coisa do efeito (ou defeito) por ser acelerador electrónico, experimentei
no modo de condução A e B. No primeiro, o efeito é mais ou menos o mesmo, mas
no B, que imagino que deve ser o de menos potência, já não sentia tanto essa
hesitação. Ademais, também no B, a entrega de potência já a senti mais linear,
sem aquele “marasmo” das 5-6.000 rpm.
| O quadro, em fundição de alumínio |
A cúpula é regulável, mas a verdade é que pouco
protege, um pouco mais na posição alta que na baixa. De qualquer forma o vento
vai sempre parar ao capacete.
Quando me entregaram a moto, o computador de bordo
indicava 6,4 l/100Km. Fiz “reset” e andei cerca de 60 Km, apresentando no final
uma média de 4,8 l/100Km, pelo que considero uns consumos muito bons para aqui
que andei.
| Outro bom detalhe: ficha 12v |
Não me vou prolongar nem argumentar mais sobre este
teste. Tenho que referir que tinha elevadas expectativas para esta moto, pelos
motivos que referi ao início. E saí dali verdadeiramente decepcionado. Já tinha
lido sobre a debilidade das suspensões, da má protecção da cúpula e do assento
algo duro, mas não esperava desiludir-me na parte dinâmica, mecânica e
electrónica. Esta moto é um êxito mundial de vendas, mas a mim não me
transmitiu sensações satisfatórias, pelo que provavelmente o defeito é meu ou esta
unidade em concreto estará mal afinada, como é a pressão dos pneus, regulação
das suspensões, sei lá....
No ano transacto a MT09 foi objecto de alterações nas
suspensões e para 2017 já foi apresentada uma remodelação ainda mais profunda,
incluindo a parte estética. Esta Tracer tem dois anos de mercado e já vai para
o terceiro (2017) com apenas alterações cromáticas. Às vezes, aquilo que não
serve para uns pode ser excelente para outros. Tendo em conta aquilo que
relatei apenas posso aconselhar os eventuais interessados que experimentem bem antes
de comprar.
sábado, 24 de setembro de 2016
Ducati Multistrada 1200 S – A moto de Hércules
Quem se lembra no princípio deste século (2003), de um
patinho feio chamado Ducati Multistrada 1000, com um motor refrigerado a ar e uns
magros 84 cv?
Eram tempos de glória das desportivas, com as
brilhantes 916, 996, 998 e mais tarde mais um patinho feio, a 999, que
dominavam com mão de ferro o mundial de superbikes. Eram a base de vendas da
Ducati, e por isso a Multistrada não tinha demasiada importância para a marca.
Mas desta vez não se ficaram por um mero exercício de
estilo. Quiseram romper o mercado com um novo conceito, cheio de detalhes, um
novo motor, e muita, muita tecnologia.
Assim o planearam e assim o conseguiram. Sendo uma
moto inovadora, quase rompedora, a aceitação foi imediata, ou seja, um sucesso.
A Multistrada é uma moto globalmente atraente. O seu
“bico de pato”, com duas entradas de ar é imponente e faz um bom conjunto com
os faróis e a cúpula. Os piscas integrados nos reflectores de ar dos punhos é
outro detalhe que lhe fica bem. As malas que se integram sem qualquer armação
adicional (foram pioneiros neste segmento) e o basculante mono braço, são
pormenores que tornam esta moto especial.
Por fim temos o motor e o quadro em treliça. Os dois gigantes
cilindros em V longitudinal com comando desmodrómico e agora também DVT
(sincronização variável das válvulas), são imagem da marca, tal como o seu
diminuto quadro em tubos de aço.
Esta moto já a tinha mais que vista. Em 2010, na
altura em que saiu no mercado, foi uma das minhas hipóteses de compra. Era a
minha hipótese mais apaixonada. Como acabava de sair e era um produto
completamente novo, não quis arriscar. Agora em 2015, volta a ser hipótese de
compra.
Conforme já tinha dito, já estava mais que vista e
estudada e por isso só faltava experimentar. O Paulo Mesquita, o simpático
técnico de vendas da Ducati Norte, permitiu que no passeio aos Picos da Europa,
conduzisse essa bela máquina durante umas dezenas de quilómetros.
| O assento, algo acanhado |
Sentado na moto, ressalta o quadro de bordo, um
autêntico mini-computador a “tutti colore”. No mundo dos tablets e dos
smartphones não é nada de especial, mas no das motos é quase exclusivo e
inovador. Para encontrar algo parecido em outras marcas de produção em série,
teremos que ir à MV Agusta e à BMW. Comandado nuns botões do punho esquerdo, é
um regalo para a vista e melhor que isso é extremamente funcional e intuitivo.
A moto é extremamente compacta. Isso nota-se visto de
fora e ainda mais estando sentado. O assento não dá grande espaço longitudinal
para variar a posição de condução como eu gosto, mas a posição que nos oferece
é agradável e confortável, suficiente para fazer muitos quilómetros.
| O bico de pato e os faróis, totalmente em led |
Depois do Paulo me explicar em 1 minuto como se podiam
alterar os modos de potência/suspensões do motor (não entendi quase nada),
arranquei no modo Touring. Há que realçar que excepto para abrir e fechar
malas, todo o resto é do tipo “mãos livres”, sem chave, inclusivé para abrir a tampa do depósito de
combustível.
Motor em acção, arrancar e….buf! Que moto! Acelera
como um diabo e nas curvas a sensação de segurança é extrema, com aqueles pneus
de 190 mm atrás, dão a sensação que temos não duas, mas quatro rodas coladas ao
chão.
![]() |
| Um pouco de ficção: Hércules orgulhoso, com a sua Multistrada! |
Aqui o limite não é a moto, és tu! És tu quem deves
saber quais são os teu limites, os limites da estrada e de tudo que intervém na tua condução, pois de resto a
moto não te põe quaisquer objecções. A MTS consegue de uma forma brilhante unir
conforto e potência aos molhos!
Entrando um pouco dentro da ficção, se os deuses
mitológicos andassem de moto, de certeza que elegeriam uma Ducati e,
aprofundando um pouco mais este devaneio diria que Hércules quereria a Multistrada!
Depois de várias excitantes dezenas de quilómetros
numa estrada sinuosa algures nos Picos da Europa, quis experimentar outros
modos de condução. Pese à tão abreviada explicação, o menu é tão intuitivo que
consegui alterar por mim mesmo. Sabendo que tinha que fechar o acelerador para
se efectivar a alteração, experimentei pressionar o botão durante 3 segundos e
“voilá”, de repente fiquei no modo Sport, com as suspensões mais duras, o motor
mais nervoso, controlo de tracção menos intrusivo, etc, etc. e a verdade é que
se notam efectivamente diferenças para o modo Touring.
| Atractivo pormenor, o escape e o mono braço |
Também experimentei o modo Urban, onde tudo é mais
suave , motor e suspensões. Fantástico!
E quanto a travagem, que posso dizer em relação a uns
Brembo de primeira escolha? Que travam na perfeição! Sem serem bruscos, tens a
possibilidade de poderes enterrar-te no alcatrão, ou fazer uma égua, isto
figurativamente falando, claro.
Em relação à caixa de velocidades, é muito suave e
precisa… até que notei, mais que uma vez, uma falha na passagem da quarta para
a quinta, ficando em ponto morto. Na versão anterior também já tinha notado
isso. Os que têm Ducatis, já me explicaram que aquilo não é defeito, é feitio!
Há que pressionar com decisão a alavanca e a partir daí deixa de falhar.
| A regulação do vidro, que pode ser feito com apenas uma mão |
Também apreciei a protecção da cúpula. Regulável em
altura manualmente, permite inclusivamente fazê-lo em andamento com uma das
mãos. Para a minha estatura, 1,74m, resulta perfeito. Na posição mais baixa, o
vento vai para o peito, sem fazer ruídos parasitas no capacete. Na posição mais
alta, ou até um bocadinho mais abaixo, o vento passa completamente por cima do
capacete. A única parte que se mantém sempre desprotegidos, são os ombros.
| O menu para alteração dos modos de condução |
No grupo havia varias MTS, alguns deles levava pendura
e reparei que a altura ao solo não é o forte desta moto. Aliás eu diria que é
um ponto fraco, uma vez que presume ter também aptidões todo-terreno, com umas
suspensões com 150 mm de percurso.
Desci da moto e não me apetecia devolvê-la. Estava
simplesmente inebriado. Este é provavelmente o estado em que muitos ficam
depois da experimentar, perdendo as defesas e não olhando nem a meios nem
possibilidades para a comprar.
| O menu para alteração do tarado das suspensões |
Mas eu não sou assim. Depois daquela intensa
experiência, passei ao estado de reflexão.
Ok, a moto é do melhor, que não deixa ninguém
indiferente. Mas ao entrar nos números fiquei com os ânimos esfriados, e
porquê? Porque custa 21.000€ (!) e se quero as malas laterais, ainda tenho que
pagar mais cerca de 1.000€!
É aí que dá que pensar, pelo menos àqueles que não
lhes sobra o dinheiro (e reflexionam). É necessária tanta potência numa moto?
De toda a tecnologia que tem, vou tirar proveito útil dela?
É bem verdade que as motos são objectos de paixão e por
isso não devemos pensar demasiado… ou não?Passeio aos Picos de Europa – diário de bordo
Já lá tinha ido duas vezes, mas sempre em modo “flash
ride”, ou seja, sem detalhes nem demoras, ou se ainda não entendeste o que
disse até agora, tipo visita de médico.
| Numa das paragens pelo caminho... |
A Ducati Norte tinha difundido um convite para fazer
um passeio aos Picos da Europa, durante 3 dias e duas noites, com visita guiada.
O núcleo duro dos motard flavienses depois do necessário consenso, deliberou participar,
e assim nos inscrevemos.
No dia 16 pela fresquinha concentramos-nos junto ao
casino de Chaves à espera do pessoal que vinha do Porto e todos reunidos,
arrancamos, 17 motos e mais de 21 almas.
Seguimos por autoestrada até Verin, viramos para a
direita na A52 que passa por A Gudiña, Puebla de Sanabria, e em Benavente
apanhamos a A66 em direcção a León. Um pouco antes, saímos na saída 160 em
direcção à N625, que percorremos até ao nosso destino em Cangas de Onís.
Quando nos aproximamos dos Picos da Europa, damos-nos
conta que aquilo é algo especial. Existem muitas montanhas, até podem ser mais
altas, mas os Picos, parecem ser feitos para nos deleitar os sentidos.
| De caminho até aos lagos de Covadonga |
Foi em Riaño que almoçamos e é a partir de aí que
começamos a dar-nos conta da grandiosidade daquele monumento da natureza. Ao
adentrar-nos no meio daquelas gargantas e serpenteando por entre os maciços e
gigantescos montes rochosos, salpicados de árvores centenárias, damo-nos conta
da nossa insignificante e débil existência.
Passado este breve momento melancólico, reparo também
que o tempo não está para cantigas. O céu encheu-se de nuvens e começou a
chuviscar, este facto, ligado ao conhecimento prévio de uma previsão
meteorológica pouco favorável, diz-nos que não vamos passar sede.
Seguimos caminho e …, bom, eu gostava de contar aqui tudo,
mas a verdade é que foram muitos os sítios de realce e difícil de dizer
exactamente onde, pelo que o melhor é passares também naquela estrada e esbugalhar
os olhos.
Chegados a Cangas de Onís, continuamos viagem conforme
previsto, rumamos até ao santuário de Covadonga, onde tem uma pequena caverna
com uma capelinha e uma cascata, tudo digno de se ver. Nessa altura caia um
chuvisco pesado que aconselhou encurtar o programa e fomos até ao hotel que
tínhamos reservado em Cangas.
No dia seguinte, toca a madrugar. O tempo tinha melhor
pinta e isso animou-nos.
Repescado do programa do dia anterior por causa da
chuva, dirigimos-nos aos lagos de Covadonga. Começo por disse que o belo daquilo
tudo não são os lagos, é tudo que está à sua volta, desde que começamos a subir
o maciço montanhoso. A estrada, estreita e serpenteada, começa a subir
lentamente, e a partir de determinada altura parece que tudo o que vemos foi
cuidadosamente montado para nos deleitarmos.
| As motos estacionadas junto ao lago. A fundo, picos com neve |
Junto à estrada ( e algumas no meio dela) apareciam as
vacas todas relaxadas, com os seus ternurentos vitelinhos. Ohhhh! Os
vitelinhos, coisa mais linda e mais fofa! Só me apetecia saltar da moto e
dar-lhe beijos naqueles focinhos amorosos! Cheguei a jurar que nunca mais iria
comer carne de vitela, mas não sei se vou conseguir cumprir…
Visto da estrada, víam-se prados com cercas para recolher
os animais e ovelhas estrategicamente dispostas nos montes a pastar, tudo só
para nós vermos e tirar fotos (pensei eu).
Chegados ao lago mais afastado, e posso dizer que não
todos conseguem ter o privilégio de lá chegar em veículo próprio, devido às
grandes limitações por falta de lugares de parqueamento, uma vez mais fomos
brindados com uma envolvente ímpar. De um lado víamos uns picos donde se podia
ver neve ou seja, onde existe neve todo o ano e do outro as minas da Buferrera,
donde em tempos extraíram ferro e magnésio, agora todas bem arranjadinhas para
turista visitar e sacar muitas fotos.
Voltamos a descer, e seguindo a AS-114, em Las Arenas
viramos no cruzamento à direita e fomos até onde começa a funicular de Bulnes.
A funicular, é um eléctrico que se desloca por um túnel que nos leva até à
aldeia com esse nome. Não tivemos tempo disponível para o fazer, mas estivemos mesmo
ao lado, no miradouro/mirador de Camarmeña, cujo acesso é uma subida a pique,
mas que nos compensa com umas vistas, que são um verdadeiro espectáculo da
natureza! Ver para crer!
| O teleférico de Fuente Dé |
Daí voltamos para trás, viramos à direita pela AS-114,
depois pela N-621 e almoçamos em Potes. Pela tarde fomos até mais um lugar
icónico, Fuente Dé, donde está o temível teleférico (para alguns), dando-nos a
possibilidade de desfrutar de mais uma paisagem única e vertiginosa.
Voltamos novamente à N-621 e seguimos até Portilla de
la Reina, e a partir daí subimos uma estrada muito serpenteada mas com bom piso,
a LE-2703. Paramos em dois miradouros, um no meio do caminho e outro antes de
começarmos a descer, o Puerto de Pandetrave.
| Picos visto de onde ficamos alojados em Codiñanes |
Finalmente deslocamos-nos até àquele que seria o nosso
alojamento, pequenino (enchemos aquilo), mas num local idílico – Codiñanes de
Valdeón, do ponto de vista turístico (no inverno deve ser brrrrrrrr, de
gelar!). Aquilo é pequeníssimo e como deves imaginar, pouco tinha que ver para
além das impressionantes montanhas que nos rodeavam.
O melhor foi no dia seguinte. Fomos nas motos até Caín
de Valdeón, a uns 6 Km de onde estávamos alojados. Foi aí que fizemos um dos
percursos mais bonitos que já fiz na minha vida!
| Ruta del Cares- a ribeira ao funnnndo! |
O seu nome é “Ruta del Cares” e só se pode fazer a pé.
Atravessamos túneis escavados na rocha onde a água caía como chuva, que quase
justificava levar um guarda-chuva. Durante a maior parte do caminho que fizemos,
tivemos sempre a acompanhar um ribeiro que cada vez se afastava mais de nós em
profundidade, chegando a estar a mais de 200 m. Impressionante! Do nosso lado esquerdo
ia uma levada de água, escavada na rocha, que acompanha este percurso até ao
miradouro da Carmameña. Mas por falta de tempo tivemos que voltar para trás,
pois ir e voltar seriam 24 Km e isso ocuparia um dia inteiro. Esta interrupção não
agradou a ninguém, mas com isso reforçou a vontade de regressar para acabar
aquele percurso e muito mais.
Uma anotação: se tirar fotografar poluísse tanto como
o motor de um carro, neste momento não se podia respirar nos Picos da Europa!
Entre todos tiramos quase uma tonelada de fotos. Não acreditas? Então vai ao
facebook e verás como é verdade!
Regressamos ao alojamento, os mais limpinhos tomaram
banho (eu não tomei, que sou rústico), fizemos os sacos e as maletas e rumamos
de regresso a casa antes que se fizesse tarde. Ainda tivemos que fazer uma
manobra logística altamente sofisticada (hehe) para abastecer de gasolina as
motos mais bebedoras, de forma a chegar à próxima bomba de gasolina. Bom, para
não ficares curioso, vou dizer como foi a manobra: um taxista foi buscar um “jerrican”
de gasolina e depois andamos a por um par de litros nas tais motos que não vou
dizer quais são.
| Estrada de Caín a Cordiñanes |
Mais uma vez comemos em Riaño e a todo o vapor metemos
o azimute para casa. De repente parece que ia tudo louco, ou então tinha o
velocímetro avariado. Penso que seria a 2ª hipótese, pois nunca chegamos a ser interceptados
pela polícia.
O grupo estava cada vez mais homogéneo. Quando já
começávamos a conhecermos-nos todos, tínhamos agora que separar-nos. Uma pena,
mas em tudo há um princípio e um fim. Todos ficamos entusiasmados para uma
próxima, pois a organização foi impecável e todos deram a sua contribuição para
a boa disposição e o bom ambiente.
Eu pessoalmente deixo aqui este diário de bordo, que
pode resultar um pouco enfadonho com o vira à esquerda e vira à direita, mas
fiz isso propositadamente para que, quem o queira repetir ou fazer pela
primeira vez, consiga “à primeira tacada” ver os locais mais notáveis dos Picos
da Europa. Abaixo podem-se ver os mapas com os percursos.
A todos eles desejo que desfrutem tanto como eu
desfrutei.
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